1doce-veneno
Ela tinha o jeito dela, desastrada como só. Sempre mantinha um sorriso, mas ninguém sabia que ela sorria por sorrir. Ela havia cansado das pessoas, das promessas, da nostalgia, da rotina. Se culpava por tudo, pelas perdas, ilusões, decepções, falsas expectativas, mesmo sabendo que nada daquilo a pertencia, ela se culpava. A frieza tomou conta rapidamente, e antes o que se combinava passou a se repelir como cargas iguais. Nada a definia, era vazia, fria, talvez uma pedra de gelo fosse igual. Se tornou tal coisa porque resolveu continuar, sozinha, sem depender de ninguém. A saudade batia na porta dela algumas vezes. Saudade,Porque hoje ela estava fria, quieta, cansada. “E estava bem”.